Por dentro de suas finanças

Atenção …

A relação que estabelecemos com o dinheiro está diretamente ligada à tranquilidade que tanto buscamos em nossa vida financeira. E para que essa equação seja alcançada com sucesso, é fundamental existir um equilíbrio entre o que se ganha e o que se gasta.

Somente assim você conseguirá chegar ao final de cada mês com as contas pagas e com dinheiro suficiente para a realização dos seus sonhos.

A obtenção desse equilíbrio pode ser traduzida em uma palavra que cada vez mais faz parte de nosso vocabulário e que muitas vezes não possui um significado claro para a maioria das pessoas: sustentabilidade.

Nos dicionários, seu significado não é muito elucidador: “capacidade de ser sustentável”. Por isso, nosso autor esclarece que para algo ser sustentável, ele deve prover o melhor para o indivíduo, a comunidade e o meio ambiente, tanto no presente como em um futuro indefinido.

Nesse sentido, um modelo de desenvolvimento sustentável é aquele que concilia as necessidades econômicas, sociais e ambientais para garantir seu atendimento por tempo indeterminado e para promover a inclusão social, o bem-estar econômico e a preservação dos recursos naturais.

Colocando em termos ainda mais simples, a sustentabilidade nada mais é do que a capacidade de alcance da perenidade, da continuidade de algo ao longo do tempo. Esse conceito está ligado, portanto, à durabilidade, a algo que pode ser prolongado e que possui desenvolvimento continuado.

Seguindo o mesmo raciocínio, a sustentabilidade financeira pode ser entendida como a capacidade de administrar e gerir recursos de forma a alcançar a perenidade. Na prática, isso significa ter sempre uma reserva de dinheiro que permita realizar seus sonhos e passar com tranquilidade por momentos de instabilidade ou imprevistos.

Resumindo: é a capacidade de cada um de construir uma situação duradoura de equilíbrio em sua vida financeira.

Se a partir de hoje você não recebesse mais o seu ganho mensal, por quanto tempo conseguiria manter seu atual padrão de vida?

Esperamos que essa pergunta o leve a refletir e seja um estímulo para uma mudança efetiva em sua relação com o dinheiro e o consumo desenfreado. Está disposto a seguir em frente nesse desafio?

Evite a ciranda dos juros dos Bancos Tradicionais

Se você paga somente o mínimo do cartão de crédito, também pagará juros sobre juros e o valor da dívida ficará maior ao longo do tempo.

Nesse caso, esse é um erro bastante crítico, já que a taxa de juros do cartão de crédito é muito maior do que a taxa de rendimento de um investimento de baixo risco, como a poupança.

Se você, por exemplo, assumir uma dívida de R$ 150,00 no cartão de crédito, a uma taxa de 9% ao mês, o montante da dívida pode chegar a R$ 4.600.000,00 em dez anos.

Esse é um exemplo clássico em que os juros trabalham contra você e, infelizmente, é um mal que aflige pessoas em todo o mundo. Sem saber dos juros que incidirão mês a mês, elas acabam perdendo a noção do buraco em que estão entrando.

Vivemos atualmente em uma explosão de crédito fácil, o que poderia ser positivo quando essa é a única saída para quem precisa de um determinado valor e não o possui.

Mas acaba sendo mais uma fonte de preocupação, pois se você não conseguir arcar com as prestações, o saldo devedor estará maior a cada mês. E, enquanto estiver preso a essas dívidas, estará impedido de poupar, investir e crescer.

Um erro comum e que contribui muito nesse processo de endividamento é quando você passa a recorrer a empréstimos para complementar os seus compromissos ou para pagar as dívidas já assumidas.

Pode parecer uma saída, mas na verdade você só estará piorando sua situação e ficando cada vez mais distante de sua independência financeira.

No caso do cartão de crédito, é o pagamento mínimo mensal que o afastará do caminho da sustentabilidade. Ao pagar apenas o valor mínimo por meses seguidos, você está praticamente jogando seu dinheiro no ralo, já que sua dívida só aumentará por conta dos juros.

Nesse caso, você deve abrir mão do cartão de crédito e negociar o pagamento do valor total em prestações fixas para liquidar o que deve.

A utilização equivocada do cartão de crédito também está relacionada ao limite oferecido pelas operadoras, que muitas vezes é superior à real capacidade de pagamento dos clientes.

Diante dessa afirmação, você pode dizer: “Ora, se o banco me ofereceu um limite de R$ 5.000,00 é porque eu posso arcar com esse valor!”. Mas será que pode mesmo?”.

Em primeiro lugar, lembre-se de que as instituições financeiras têm como mercadoria o dinheiro. Assim como uma lanchonete vende lanches, o banco vende dinheiro.

Os limites concedidos para os clientes costumam ser maiores do que os seus ganhos, o que provoca no orçamento das pessoas o temido desequilíbrio financeiro.

De modo geral, o recomendável é ter um cartão de crédito com limite disponível de no máximo 30% dos seus rendimentos líquidos. Por exemplo: se você tem um rendimento mensal de R$ 1.000,00, o limite do cartão deve ser de R$ 300,00.

Não se esqueça nunca dessa lição: o limite do seu cartão de crédito não deve jamais exceder o valor do seu ganho.

A negociação também é muito importante para quem busca a sustentabilidade financeira e possui dívidas. Por isso, o ideal é não ter vergonha e negociar sempre que possível.

Não aceite a primeira proposta que lhe apresentarem: mostre que o resultado da negociação tem que ser bom para ambas as partes e que você só poderá pagar se for uma situação efetivamente positiva para você. Afinal, de nada adianta assumir uma proposta com a qual não poderá arcar.

Você deve modificar seus hábitos de consumo. A palavra de ordem inicial é organização. Todas as despesas não essenciais devem ser cortadas. Lembre-se de que um pequeno vazamento pode afundar um grande navio.

Você também pode procurar entender melhor como alguns fatores da economia podem afetar o seu dinheiro. O principal deles é a inflação.

Ela é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, e influi nas aplicações com rendimento vinculado à taxa básica de juros, a Selic que, por sua vez, é definida pelo Banco Central em reuniões periódicas.

Ocorre que, quando a inflação está alta, é mais difícil para o Brasil seguir com o seu planejamento de política monetária e atingir a meta definida para a Selic.

O Banco Central trabalha com uma meta para a inflação e, sempre que esse limite corre o risco de ser ultrapassado, os juros são elevados como forma de tentar diminuir o consumo e, com isso, o aumento dos preços.

A inflação afeta o valor do nosso dinheiro, o Real. E se a moeda vale menos, o poder de compra também diminui. Um exemplo simples é a ida ao supermercado.

Se a inflação está alta, o dinheiro com que você comprava uma porção de coisas não valerá o mesmo no mês seguinte, ou seja, você levará para casa menos mercadorias e gastará o mesmo valor. Por isso é tão importante que o governo mantenha a inflação sob controle.

Previdência ou poupança?

Ser independente financeiramente não depende de quanto você ganha, mas de sua relação com o dinheiro e da maneira como você o gasta e administra.

A chave para alcançar a independência financeira é formar uma poupança segura e sustentável, que dure a vida toda, garantindo assim seu padrão de vida sem a dependência de seu ganho mensal.

Isto é, você deverá ter um volume de dinheiro guardado que renda, por meio dos juros, o valor necessário para pagar os seus gastos atuais e futuros mesmo sem trabalhar.

Essa deve ser sua meta a partir de agora. O autor fornece um exemplo simples para animá-lo e provar que conquistar R$ 1 milhão é possível para quem começa a poupar cedo e possui disciplina.

A conta é fácil: se você guardar todo mês, durante 30 anos, pouco mais de R$ 618,00, a uma taxa de 0,7%, terá alcançado R$ 1.000.000,00.

Para alcançar a independência financeira é preciso acumular uma reserva que possa render o dobro do seu padrão de vida.

Por exemplo: uma pessoa com um padrão de vida cujo valor mensal é de R$ 1.000,00 terá que obter um rendimento mensal de juros no valor de R$ 2.000,00, ou seja, o dobro do custo de vida.

Assim estará garantindo sua sustentabilidade financeira, desde que respeite seu padrão real de vida, neste caso, de R$ 1.000,00 e ficando os outros R$ 1.000,00 acumulados na reserva financeira, que vai aumentando mês a mês.

Nesse exemplo, com rendimentos mensais de R$ 2.000,00, o montante a ser acumulado deverá ser de R$ 312.000,00 e, para isso, seria necessário poupar mensalmente por 30 anos o valor de R$ 218,00 com juros de 0,65% ao mês.

É claro que, quanto mais cedo a pessoa começa a poupar, mais fácil será para ela alcançar a sustentabilidade financeira. Enquanto não se tem uma família e uma casa para sustentar, a dica é poupar ao menos 30% dos rendimentos mensais.

Mas a idade e a situação financeira atual não devem ser usadas como desculpa. Basta um pouco de persistência e determinação para alcançar a independência financeira.

É importante analisar as diversas opções de investimento e seguros antes de optar pelo melhor destino para o dinheiro poupado.

A maior parte da população contribui mensalmente com a previdência social, que garante ao contribuinte ou à sua família a manutenção de sua renda em caso de morte, doença grave, prisão, gravidez, acidente ou velhice.

Só que o valor retido quase sempre não é suficiente para bancar o padrão de vida com o qual as pessoas estão acostumadas. Isso porque a maioria contribui apenas com o percentual mínimo, entre 8% e 11%, que é o valor descontado obrigatoriamente todos os meses.

O problema é que com o passar do tempo o valor pago para a previdência social fica defasado em relação ao valor do salário. Isso quer dizer que a quantia a ser recebida do INSS será bem menor do que o necessário para manter o padrão de vida.

Por isso, uma das escolhas para investir o dinheiro retido pode ser a previdência privada. Ela é a opção para quem busca um sistema que proporcione uma renda mensal no futuro, principalmente quando a pessoa já não quer – ou não pode – trabalhar.

É uma alternativa que pode complementar a previdência social para garantir um futuro financeiramente estável.

No Brasil, há basicamente dois tipos de plano de previdência: a aberta, que pode ser contratada individualmente por qualquer cidadão em seguradoras ou bancos; e a fechada, destinada a grupos, como funcionários de uma empresa, sindicatos e entidades de classe.

No segundo caso, o mais comum é que o funcionário contribua mensalmente com uma parte de seu salário e a empresa banque a outra metade.

Outra opção que atrai muitos brasileiros é a caderneta de poupança, o investimento mais tradicional, conservador e popular do país.

As principais vantagens da poupança são a liquidez imediata e a possibilidade de retirada do dinheiro a qualquer hora.

Outro atrativo é o fato de a poupança ser uma transação de baixo risco, ou seja, a possibilidade de você perder todo o dinheiro aplicado ou parte dele é pequena.

Mas lembre-se de que valores mantidos por menos de um mês não recebem remuneração. A caderneta de poupança calcula o rendimento de uma conta de acordo com o período de um mês, decorrido a partir do dia em que o dinheiro foi depositado até a data em que é remunerado.

Portanto, se por algum acaso você precisar efetuar resgates, ou seja, tirar parte do dinheiro depositado na poupança, a dica é fazer isso sempre no dia do aniversário ou depois dele.

A poupança se diferencia ainda pela isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. A desvantagem é que, por ser uma aplicação altamente conservadora, o rendimento é menor se comparado a outros investimentos, até mesmo no caso de outras aplicações de baixo risco.

Títulos públicos

Os Títulos de Tesouro Direto, popularmente conhecidos como Títulos Públicos.

Essa modalidade faz parte de um programa de investimento criado pela Secretaria do Tesouro Nacional para custear gastos públicos, sendo ela a responsável por emitir e controlar os títulos.

Os Títulos Públicos pode ser emitido por governo federal. O “empréstimo” é utilizado para financiar atividades nas áreas de educação, saúde e infraestrutura, além do pagamento da dívida pública.

Os títulos possuem diferentes prazos e rentabilidade, podendo incluir desde juros prefixados até estarem vinculados à famosa taxa Selic. Nesse caso, o investidor só saberá ao certo quanto irá receber ao fim da aplicação.

A aplicação inicial deve ser de, no mínimo, 20% do preço do título a ser comprado, valor que é de aproximadamente R$ 100,00. Já as vendas dos títulos, ou seja, o resgate do dinheiro, só pode ser realizado entre as 9h de quarta-feira e as 5h de quinta-feira.

O maior diferencial dos Títulos Públicos é que, mesmo sendo um investimento de baixo risco, eles possuem maior rentabilidade em relação a outras opções conservadoras, a exemplo da poupança.

Além disso, você pode comprar títulos diferentes, construindo assim uma carteira diversificada quanto a prazos e rentabilidade.

Já a desvantagem é a incidência de Imposto de Renda e, no caso de aplicações com prazo inferior a 30 dias, de Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF.

Apesar de existirem títulos com vencimentos de curto prazo, esse tipo de aplicação é mais indicado para investimentos a médio e longo prazo, que devem ser a aposta de quem busca a sustentabilidade financeira.

Os Títulos Públicos podem ser comprados pela Internet, em instituições financeiras habilitadas para a atividade, chamadas de Agentes de Custódia.

Algumas dessas instituições possuem seus sistemas integrados, ligados ao sistema do Tesouro Direto e, por isso, são chamadas de Agentes Integrados. A facilidade é que com a integração dos sistemas os clientes compram os títulos diretamente no site de cada instituição.

Na página do Tesouro Direto você encontra uma lista das instituições financeiras que oferecem Títulos Públicos e um ranking das taxas a serem pagas.

Isso porque, ao comprar o título, é cobrada uma taxa de negociação sobre o valor da operação, entre outras que devem ser pagas a cada semestre ou ainda no vencimento do título. Por isso, é muito importante que você se informe bem antes de optar por esse tipo de aplicação.

Não se assuste com a grande quantidade de informações. Aos poucos, você conseguirá identificar com maior facilidade qual é o seu perfil de investidor e qual a modalidade mais indicada para o seu caso.

Como um investidor iniciante, você deve ter consciência de seu objetivo. Ao buscar a sustentabilidade financeira, seu foco deve ser o futuro, sua tranquilidade e perenidade. Você poderá aproveitar, quando necessário, os juros de suas aplicações e não deve mexer no dinheiro efetivamente aplicado.

Mudança de hábitos

É importante que você tenha consciência de que o equilíbrio financeiro também depende da redução dos pequenos gastos, que, na verdade, são os cortes mais fáceis de serem realizados.

Afinal, o café no fim da tarde e a pizza de domingo podem muito bem ser reduzidos sem prejuízo algum para a sua qualidade de vida.

Não se trata de abdicar de tomar café ou comer pizza. A sugestão oferecida para que você finalmente alcance a independência financeira é a moderação. Tome o café na padaria, mas não todos os dias, e peça a pizza a cada 15 dias.

Os valores poupados somente com essas atitudes de redução já serão consideráveis no longo prazo.

Tudo é uma questão de reunir coragem, força e informação para romper o ciclo do endividamento, das compras por impulso e dos gastos supérfluos e desnecessários. Somente assim, tomando as rédeas da sua vida financeira, você conseguirá olhar para a frente e partir em busca da tão sonhada independência financeira.

Paralelamente, promova uma verdadeira reflexão sobre o seu estilo de vida e padrões de consumo. Você deverá manter um padrão de vida sustentável, que lhe permita estar na posição de poupador ao invés de estar na de devedor.

Isso significa que se você possui muitas dívidas, deve estar vivendo fora de seu padrão de consumo.

Para ser sustentável é necessário viver dentro da sua realidade, já que é disso que dependerá a sua saúde financeira. Muitas pessoas estão acostumadas a viver na corda bamba por assumir compromissos com os quais não podem arcar.

Infelizmente essa é a atual situação da maior parte dos brasileiros, que coloca os filhos em escolas cuja mensalidade está acima de seu padrão de renda, que faz financiamentos de longo prazo sem saber se terá condições de pagar e realiza compras em prestações a perder de vista.

E o problema não é somente esse. A grande maioria da população não possui o hábito de pesquisar e acaba gastando mais por pura falta de iniciativa, por não procurar saber quanto custa determinado produto em cada loja.

O pensamento dessas pessoas deve ser de que não vale a pena perder tempo pesquisando e, no fim, economizar alguns poucos reais.

Mas a verdade é que, qualquer real economizado é válido e que, de real em real, a quantia poupada é significativa. Mas mais do que isso, a diferença pode ser espantosa.

Você sabia que a diferença de preço entre os eletrodomésticos pode variar até 60% para um mesmo produto em diferentes estabelecimentos?

Por isso, não deixe nunca de pesquisar preços antes de fechar uma compra. Esse hábito, que deve ser incorporado em seu dia a dia, é um dos pilares da busca pela sua sustentabilidade financeira.

Conclusão

Chegou a hora de abandonar a postura que nós, na maioria das vezes adotamos, de esperar que um “pai protetor” apareça do nada para resolver nossos problemas. Tome as rédeas da sua vida financeira!

Lembre-se de que a transformação verdadeira depende de você, da mudança dos seus hábitos e comportamentos em relação ao dinheiro. E isso está diretamente relacionado à sua capacidade de enxergar o dinheiro como meio e não como fim.

Você não precisa de soluções mágicas para viver bem financeiramente, apenas do conhecimento de algumas estratégias, além, é claro, de três aspectos: atitude, disciplina e perseverança.

Esteja certo de que agindo da forma correta e respeitando o dinheiro, a prosperidade será o seu destino e os bons ventos da educação financeira soprarão sempre a seu favor.

 

Fonte :O minuto

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